Se o carro quebrou na estrada, ligue o pisca-alerta, leve o carro para o acostamento ou o ponto mais afastado da pista, coloque todos para fora do carro e atrás da defensa, e só depois sinalize com o triângulo e chame socorro. A ordem importa: primeiro as pessoas, depois o carro.
Os primeiros segundos: o carro ainda anda
Quando o motor falha em movimento, o instinto é frear forte. Evite. Faça assim:
- Pisca-alerta ligado imediatamente.
- Tire o pé do acelerador e deixe o carro perder velocidade.
- Segure o volante com as duas mãos. Sem motor, a direção hidráulica pode ficar pesada, mas o volante continua respondendo.
- Freie aos poucos. O servo-freio guarda um pouco de assistência, e depois de alguns acionamentos o pedal fica duro. Não bombeie desnecessariamente.
- Procure o acostamento ou um local largo, fora da faixa. Prefira um trecho reto, com boa visibilidade, e evite parar logo depois de uma curva ou do topo de um morro.
- Se o carro morrer no meio da pista, ligue a seta para o lado do acostamento e vá saindo devagar, usando a inércia.
Se o carro morreu e não liga mais, não insista na partida com o carro ainda em pista de rodagem. Priorize a saída da pista.
Depois de parar: quem fica dentro do carro
Em rodovia, o carro parado é um alvo. O procedimento seguro é:
- Saia pelo lado oposto ao do tráfego, depois de olhar pelo retrovisor e pela janela.
- Todos fora do carro, atrás da defensa metálica ou da barreira, longe do carro.
- Ninguém fica entre os veículos, nem na frente, nem atrás do carro.
- Crianças e animais saem junto, com um adulto, e permanecem atrás da defensa.
- Se não há defensa, afaste-se bastante, para o lado, em direção contrária à da pista.
Em rua de cidade, o risco é menor, mas ainda existe: pisca-alerta, triângulo e a calçada.
Triângulo: onde colocar
O triângulo de sinalização avisa quem vem atrás com antecedência. A distância depende da velocidade da via e da visibilidade. Como referência prática, não como norma:
| Tipo de via | Distância de referência | Observação |
|---|---|---|
| Rua urbana, velocidade baixa | Cerca de 30 passos, ou 20 a 30 m | Visível de longe |
| Avenida ou via expressa | De 50 m em diante, quanto mais rápida, mais longe | Antes da curva ou do topo, se houver |
| Rodovia, 80 a 110 km/h | Bem mais longe, em geral 100 m ou mais | Em curva ou morro, antes da curva |
| Pouca visibilidade (neblina, chuva forte, noite) | Aumente em relação à tabela | Combine com pisca-alerta e lanterna |
A legislação de trânsito prevê o uso do triângulo e a distância deve ser suficiente para o motorista de trás reagir. Se for perigoso ir andando até o ponto, na pista de rodagem, não vá: fique atrás da defensa e deixe o pisca-alerta trabalhar. O triângulo só é colocado se o caminho até o local for seguro.
Pegue o triângulo, o colete e o celular ao sair do carro, mas só se isso não atrasar a saída.
Quem chamar primeiro
A ordem varia com o local e com o plano. Uma lista de telefones para salvar antes de viajar:
| Quem | Quando chamar | Observação |
|---|---|---|
| Concessionária da rodovia | Rodovia pedagiada | O número costuma estar nas placas e no pedágio |
| PRF (191) | Rodovia federal, acidente ou risco | Em estaduais, polícia rodoviária estadual |
| Seguro ou assistência 24h | Seu plano inclui guincho | Tenha o número da apólice à mão |
| Guincho particular | Fora da cobertura ou sem concessionária | Peça preço e destino antes |
| SAMU (192) e bombeiros (193) | Feridos, fogo, vazamento forte | Ligue antes de qualquer outro |
Em acidente com feridos, comece pelo SAMU e pelos bombeiros. Se o carro só quebrou, seguro e concessionária vêm primeiro: chamar o guincho particular antes pode fazer você perder a cobertura, dependendo do contrato.
O que informar ao ligar
Para o atendimento ser rápido, tenha em mãos:
- a rodovia, o sentido e o quilômetro (as placas e os marcos mostram);
- o modelo, a cor e a placa do carro;
- o tipo de problema (não liga, pneu, superaquecimento, bateria);
- o número de pessoas e se há crianças;
- se o carro é automático, 4x4 ou rebaixado, porque isso muda o tipo de guincho.
Situações que mudam o plano
Fumaça ou vapor saindo do capô. Pare, desligue o motor, saia do carro e fique longe. Não abra o capô: o vapor pode queimar e o líquido de arrefecimento sai quente. Espere esfriar por bastante tempo antes de qualquer verificação.
Cheiro de queimado ou fogo. Saia imediatamente com todos, afaste-se bastante do carro e ligue 193. Não abra o capô nem tente apagar o fogo por conta própria.
Quebra à noite ou na chuva. Aumente a distância do triângulo, use o colete refletivo se tiver e a lanterna do celular só dentro da área segura, atrás da defensa. Mantenha o pisca-alerta ligado enquanto a bateria permitir.
Sem sinal de celular. Procure o telefone de emergência das rodovias, quando houver, ou peça ajuda a quem para, mas sem entrar em carro de desconhecido. Os marcos de quilômetro ajudam a informar a localização depois.
O que deixar pronto antes da viagem
O que ajuda na hora do problema se prepara antes: triângulo inteiro e acessível, colete refletivo no habitáculo (não no porta-malas), macaco, chave de roda e estepe calibrado, lanterna e carregador de celular no carro. Salve no telefone o número do seguro, da concessionária da rota e o código da apólice. Dois minutos de preparo reduzem o tempo exposto no acostamento, que é o momento de maior risco.
O que não fazer
- Não tente empurrar o carro em rodovia.
- Não conserte nada na pista.
- Não abra o capô se houver fumaça ou vapor: espere esfriar longe do carro.
- Não aceite reboque com corda de desconhecido em rodovia.
- Não deixe crianças brincarem perto do acostamento.
Quando chamar um técnico (ou o guincho)
Se o carro não liga ou se há qualquer sinal de falha mecânica, não rode. Em rodovia sem concessionária ou fora da cobertura do seguro, um guincho particular da região resolve, e a escolha certa é plataforma para carro baixo, automático ou 4x4. Antes de aceitar, peça ao guincheiro o valor total (saída e quilômetro rodado), o destino exato e o tempo de chegada, e anote o nome da empresa e a placa do guincho.